Abordagem da Obesidade no Idoso

O sobrepeso e a obesidade representam preocupações relevantes de saúde pública a nível mundial. A prevalência da obesidade praticamente triplicou nos últimos 50 anos, atingindo níveis alarmantes. Tal fato constitui uma grave ameaça à saúde pública, pois está intimamente associado a várias causas de morbidade e mortalidade, incluindo doença coronariana, alguns tipos de câncer, hipertensão arterial sistêmica, doença hepática gordurosa e diabetes mellitus tipo 2.

Em pessoas idosas, o elevado índice de massa corporal (IMC) está associado a menor mobilidade, redução da atividade física e, consequentemente, menor gasto energético e perda de massa muscular. Além disso, o excesso de gordura abdominal tem sido associado a níveis mais elevados de marcadores de atividade oxidativa, com consequente prejuízo da função muscular. Ocorre assim uma estreita relação entre a obesidade e uma importante síndrome geriátrica: a sarcopenia.

Diante do exposto, é clara a necessidade de identificar os pacientes idosos portadores de obesidade ou sobrepeso, no intuito de oferecer tratamento apropriado e mitigar os riscos associados a essas condições. O ministério da saúde recomenda uma classificação baseada no IMC que é um pouco diferente daquela aplicada a pacientes jovens, como podemos observar na tabela abaixo:

Classificação do estado nutricional para idosos:

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O tratamento da obesidade no idoso inclui uma abordagem multidisciplinar, estando sempre indicado ajustes dietéticos e exercício físico. Um grande percentual de pacientes vai necessitar de terapia medicamentosa e, um número menor, pode ter indicação de cirurgia bariátrica.

Com relação às mudanças dietéticas, recomenda-se restrição calórica moderada (500 kcal/dia abaixo das necessidades energéticas estimadas, enquanto mantém uma ingestão mínima de 1000-1200 kcal/dia). Deve haver uma ingestão de proteínas de pelo menos 1 g / kg de peso corporal / dia e uma ingestão adequada de micronutrientes. Dietas “verylowcarb” são fortemente desencorajadas nessa população.

Recomenda-se também, no mínimo, 150 minutos por semana de exercícios aeróbicos moderados a vigorosos, com duas sessões de exercícios de resistência consistindo em treinamento de força, flexibilidade e equilíbrio. Os exercícios de resistência possuem grande relevância também na abordagem da sarcopenia.

Quando indicado a terapia farmacológica deve ser iniciada de maneira criteriosa, levando-se em consideração o perfil de efeitos adversos da droga em questão e as comorbidades apresentadas pelo paciente. A abordagem da obesidade no paciente idoso é desafiadora, no entanto necessária para possibilitar uma maior autonomia e redução da morbidade e mortalidade.