Durante a evolução humana e desenvolvimento das civilizações, a alimentação sempre teve uma função fundamental no desenvolvimento desses processos. Inicialmente, os alimentos eram consumidos imediatamente após a caça e coleta, porém surgiu a necessidade de armazenamento com o passar do tempo. Os homens deixaram de ser nômades e passaram a acumular os recursos excedentes: sementes, frutas e animais. Essa evolução levou a compreensão da necessidade de boas práticas na produção de alimentos, considerando que a segurança alimentar é indispensável para a melhoria da saúde da população (ALENCAR et al., 2001; PEREIRA et al., 2020). Boas práticas de higiene envolvendo todo o processo desde a produção, comercialização, armazenamento, transporte, preparo e consumo dos alimentos são essenciais para garantir a salubridade dos mesmos (BRASIL, 2010).
É comprovada a relação de várias doenças com a ingestão de alimentos contaminados, e uma multiplicidade de agentes causais (bactérias, vírus, parasitas, substâncias tóxicas) pode causar infecções ou intoxicações com formas clínicas diversas, podendo ser de evolução aguda ou crônica e de efeito local ou sistêmico. A evolução de cada caso dependerá das condições do paciente, do agente etiológico envolvido e do acesso aos serviços de saúde (BRASIL, 2010; OLIVEIRA et al, 2010).
A ocorrência de Doenças Transmitidas por Alimentos (DTA) vem aumentando de modo significativo sendo considerado um importante problema de saúde pública em nível mundial que necessita de intervenção multiprofissional. Faz-se necessário um trabalho conjunto com a vigilância epidemiológica, vigilância sanitária, vigilância ambiental, assistência em saúde, defesa e inspeção agropecuária, laboratório e outras áreas e instituições parceiras para controlar e prevenir os casos e surtos que são uma ameaça frequente à vida de milhares de pessoas. No Brasil, presume-se alta morbidade, entretanto pouco se conhece da real magnitude do problema devido à precariedade das informações disponíveis (não notificação) (BRASIL, 2010).
Além da falta de controle eficiente dos órgãos públicos e privados quanto à qualidade dos alimentos ofertados às populações, alguns fatores contribuem para a emergência dessas doenças, entre os quais destacam-se (BRASIL, 2010): o crescente aumento das populações; o existência de grupos populacionais vulneráveis ou mais expostos; o processo de urbanização desordenado e a necessidade de produção de alimentos em grande escala; a maior exposição das populações a alimentos destinados ao pronto consumo coletivo – fast-foods; o consumo de alimentos em vias públicas; a utilização de novas modalidades de produção; o aumento no uso de aditivos e a mudanças de hábitos alimentares.
Do exposto, vê-se que a qualidade e a segurança dos alimentos abrangem várias dimensões das relações humanas sobre o acesso aos alimentos e está em constante construção, sendo influenciada pelo próprio homem, pelo meio ambiente, pelas condições sanitárias, culturais e socioambientais (PEREIRA et al., 2020).
REFERÊNCIAS
ALENCAR, Álvaro Gurgel de et al. Do conceito estratégico de segurança alimentar ao plano de ação da FAO para combater a fome. Revista Brasileira de Política Internacional, [S.L.], v. 44, n. 1, p. 137-144, jun. 2001. FapUNIFESP (SciELO). http://dx.doi.org/10.1590/s0034-73292001000100009
PEREIRA, Nircia et al. Qualidade dos alimentos segundo o sistema de produção e sua relação com a segurança alimentar e nutricional: revisão sistemática. Saúde e Sociedade, [S.L.], v. 29, n. 4, 2020. FapUNIFESP (SciELO). http://dx.doi.org/10.1590/s0104-12902020200031.
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. Manual integrado de vigilância, prevenção e controle de doenças transmitidas por alimentos / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância Epidemiológica. – Brasília : Editora do Ministério da Saúde, 2010. 158 p. : il. – (Série A. Normas e Manuais Técnicos)
OLIVEIRA, Ana Beatriz Almeida de; PAULA, Cheila Minéia Daniel de; CAPALONGA, Roberta; CARDOSO, Marisa Ribeiro de Itapema; TONDO, Eduardo Cesar. Doenças transmitidas por alimentos, principais agentes etiológicos e aspectos gerais: Uma revisão. Rev HCPA 2010;30(3):279-285. Disponível em https://lume.ufrgs.br/handle/10183/157808.
Autores:
*Helen Graças Correia da Silva, Psicóloga Clínica, especialista em Psicopedagogia;
*Jeremias Guilherme da Silva, técnico de enfermagem, enfermeiro com especialização em Saúde pública;
*Mônica Gomes Simões Medeiros, enfermeira, pós-graduação em enfermagem em UTI e MBA em auditoria.
*Tatiana Aquino de Freitas Zovka, Odontóloga, especialista em Odontopediatria.
* Mestrandos do Curso de Saúde Única da UFRPE.